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segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Introdução - Vírus do caos

Ela foi infectada pelo vírus do caos.
O mesmo se alojou numa célula de seu corpo que se multiplicou e multiplicou infinitimente.
Agora ela é feita de caos.
E ninguém a entende.
Vista do lado de fora ela é estranha...
o que não deixa de ser verdade,
mas há muito mais que isso. E ninguém se interessa em saber o que é.
As células infectadas com o vírus do caos causam diversos efeitos psicológicos, comportamentais e sentimentais. O que não é nada bom, pois a doença do caos é diagnosticamente desconhecida. Isso faz com que os infectados sejam sempre mal interpretados, complexados, sozinhos...
Aderiu o vírus ainda na barriga da mãe e, ao longo da vida, a menina manifestou inúmeros problemas.
Os quais costumam afastá-la das pessoas.
Ela não conseguia confiar em ninguém. Nem acreditava que alguém a amava realmente como alguns diziam. Existiram sim, até então, pessoas em que ela conseguisse entregar um pouco de confiança e tentar explicar o que se passava dentro dela. Mas era inútil. Nem ela mesma entendia.
Ela se tornou uma junção de momentos extremamente peculiares e, aos olhos dos outros, estranhos e sem sentido. Os quais serão relatados ao longo dos capítulos.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Foi estranho.
Tudo tão passageiro e tão grande ao mesmo tempo.
Poucos momentos, poucas lembranças. Fortes lembranças, bons momentos.
Não foi amor.
Não o queria pra mim. Mas o queria por perto.
Isso era certo, disso eu tinha certeza e poderia afimar com todas as letras: "... que seja, mas o quero aqui!"
Me lembro de quando podia sentir o cheiro daquelas caretinhas. De quando podia abraçar aquela voz. De quando sentia vontade de malinar aquela magreza. Sinto falta de poder cheirar aquele abraço. Sinto falta daquele abraço. Sinto falta daquele olhar.
Eu não tive nada a oferecer, só queria estar ali.
Mas ele passou.
Foi um vento que passou.
Me bagunçou o cabelo, me deixou um lenço e um punhado de saudade.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

E o que ela sabe da vida?
Já tem 17 e o que traz na mochila é um rímel, um lenço, um remédio de nariz, algumas lembranças e farelos de pôr do sol. Tudo o que já passou até agora só fez parte do seu mundo. O qual não faz muita questão de se enturmar com os dos outros. Quais são seus problemas? Quais são suas dívidas? Ela nem sequer sabe o caminho que quer seguir. A quem ela quer enganar? O mundo é perigoso e disso ela sabe. Só não sabe como lidar. Só.
Muitos vão passar pela sua calçada e depende dela convidar alguém para entrar, mas ela só cumprimenta.
Ela é um pequeno pacote de caos que ninguém nota. É um suspiro de cansaço de vida vazia no fim do dia. É uma barra de chocolate amargo, azedo e doce. É um olhar distante e meio fechado. Ela é um dia 13. É um vento que faz das folhas de uma palmeira, cabelos dançantes. É uma melodia psicodelicamente suave. É "um soluço e a vontade de ficar mais um instante". É um universo inteiro apertado em duas mãos, a sua própria e a mão do mundo.
...
Hoje não dá.
Talvez semana que vem, ou quando minha aposentadoria chegar.
Talvez quando a padaria fechar ou quando o sol se deitar.
Hoje não dá.
Vou estar ocupada, fazendo nada, até parar para pensar
que hoje não dá
porque não tem motivo,
eu não quis o perigo e preferi me lamentar.
A gente marca outro dia.
Hoje vou dormir,
amanhã vou fugir
e depois vou cantar.
Outro dia não dá?
Era isso que eu temia.
A sua hora de partida, que parecia que nunca iria chegar.
A verdade é que hoje dá.
Mas preferi desperdiçar.
É mais fácil se acomodar...

Só se caso quisesses saber,
hoje dá.

sábado, 10 de novembro de 2012

E porque é que eu tenho que me conformar?
É perturbador!
Se sentir perdida e não ter nem pra onde voltar.
Não sair do lugar.
Não conseguir nem tentar.
Como se camufla tanta dor?
A montanha de lixo sentimental só cresce.
E o problema é que esse lixo não foi jogado fora.
Nem será.

sábado, 15 de setembro de 2012

Vou me vestir de céu e voar...
sozinha.
Quanto tempo falta para o pôr-do-sol?
Quantas músicas faltam até a próxima chuva?
Às vezes só o vento me basta.
Meu silêncio vaga por aí tentando te levar minhas palavras,
mas já estás fora do alcance,
num mundo paralelo ao meu.
E não existem muitos caminhos que os ligam.
Não existe mais nenhum caminho que os ligue.
Quantas horas faltam para passar?
Quantos céus vou ter que esperar até ter certeza de que não terei mais?
Às vezes nem o vento me basta.
Meu sistema não está mais nervoso.
Minha retina já não te capta mais.
Mas ainda observo os ônibus que passam.
E os lugares de sempre,
ainda estão lá.
Vou guardar um pouco de vento no meu bolso.
Uma hora ele deve ajudar.
Uma hora ele deve bastar.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012


Quanto mais eu tento ser melhor mais me afundo, menos aprendo, mais confusa eu fico.
Quanto mais agradável eu tento ser, mais desagradável eu sou.
Queria ser tanta coisa que acabo sendo nada.
E ainda sempre faço questão de preferir mostrar meu lado azedo e me afastar.
Imagino que a solução seja ficar sozinha.
Assim ninguém se machuca.
Às vezes a lua me parece o lugar ideal.
Tem espaço, silêncio e vazio..
(como se fosse bom não ter com quem comentar sobre as estrelas.)

domingo, 5 de agosto de 2012

Não me deixe só.
Eu tenho medo de escuro,
eu tenho medo do inseguro,
dos fantasmas da minha voz.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

É que... não é bem isso, é mais ou menos, tipo... é quase isso, mas não exatemente, não sei dizer direito, mas foi isso que eu quis dizer, só que não do jeito que entendeste, desse outro jeito que eu tentei explicar agora... é que... Ah, não sei explicar!
É sempre isso.